Taça de Portugal 2016/2017: Loulé ++ cai de pé

A Taça de Portugal é uma das provas mais emblemáticas do calendário oficial da Federação Portuguesa de Xadrez. Juntamente com o Campeonato Nacional por Equipas em ritmo semi-rápido, é a prova mais democrática da época: na Taça todos os clubes podem inscrever as suas equipas, sem qualquer limitação quantitativa, e o emparceiramento é efectuado por sorteio, com constrangimentos, apenas nas primeiras eliminatórias, limitados à área geográfica. Uma equipa de iniciantes pode ter, aqui, a oportunidade quase única de jogar contra os mais fortes jogadores nacionais, e, em alguns casos, internacionais, já que os clubes com objectivos na área da competição contam nas suas equipas com Grandes Mestres.

Esta época inscreveram-se na Taça de Portugal 56 equipas, do Minho ao Algarve e dos Açores ao Alentejo, constituídas por 676 xadrezistas, dos quais se destacam o GM venezuelano Eduardo Bonelli, da AX Gaia, com 2673 pontos de elo; o Mestre Internacional espanhol Jaime Latasa (GX Porto, 2566) ou o MI português Jorge Ferreira (GD Dias Ferreira, 2513).

Ditou o sorteio que nos trinta e dois avos de final, Loulé (2048) se deslocasse a Lisboa para defrontar o GX Alekhine (2066), líder da série E da III Divisão Nacional e candidato à subida de escalão.

O encontro começou equilibrado. No primeiro tabuleiro, Luís Botelho conseguiu uma posição de vantagem sobre Bruno Andrade, e no segundo Oliver Jurado batia-se de igual para igual com Gustavo Pires; no terceiro, José Prata defendia uma posição igual com Renato Vasconcelos, e no quarto caminhos novos se mostravam na partida entre Tiago Pinho e José Santos.

Na passagem da primeira hora de jogo, o destino começou a traçar-se. Com um golpe táctico que a primeira Torre não antecipou, Bruno Andrade passa de uma posição muito comprometida para outra em que surge ganhador, acabando por conquistar o ponto em disputa no primeiro tabuleiro, que seria decisivo, a favor dos lisboetas, em caso de empate final no encontro. E no quarto tabuleiro, José Santos (sub-14, uma das promessas do xadrez português) mostrava estar a entender a posição muito melhor que Tiago Pinho, aproveitando os erros da Torre para construir uma sólida vantagem que concretizou sem dificuldade.

Com 2-0 no marcador e melhor desempate para os Alekhinistas, as Torres estavam foram da Taça. Mas não fora do combate.

Oliver Jurado termina o seu excelente desempenho com uma vitória na sua partida e com o resultado em 2-1, José Prata defendeu a honra da Muralha até aos instantes finais. Foi já na solidão dos instantes finais (foto), quando cada jogador tinha apenas menos de 3 minutos dos 90 iniciais para concluir a partida que a sua defesa sucumbiu, dando expressão à vitória da turma lisboeta.

Entretanto, na capital algarvia, a ADC Faro, da III Divisão, recebeu o Clube EDP Lisboa, da II, tendo sucumbido pela margem mínima. João Pacheco impôs um empate ao Mestre Nacional Luís Ferreira, e Dinis Libório venceu Amilcar Miranda, tendo nos últimos dois tabuleiros, o Mestre Nacional Júlio Santos - de 86 anos, o mais antigo xadrezistas português em actividade - vencido Filipe Barros, e o Mestre Nacional Vítor Morais vencido Ada van der Giessen.

Já na Amadora, a AXAL garantiu a representação dos tabuleiros algarvios nos dezasseis avos de final da Taça de Portugal. Vitórias de Ricardo Duarte e Paulo Xavier, nos dois primeiros tabuleiros, e derrotas de Fábio Gonçalves e Diogo Jorge, nos dois últimos, garantiram o melhor desempate e a surpresa da turma farense (1641) frente à Amadora Xadrez B (1882).

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